Newsletter DQS Atual - Edição 46 - Ano 6

Nova pesquisa da ISO confirma tendência
da norma 22000:2005


A ISO acaba de divulgar os dados da “Pesquisa de Certificações”, realizada no ano passado. Assim como no anterior, este novo levantamento reforça o crescimento nas normas 22000:2005 (Segurança Alimentar) e 27001:2005 (Segurança da Informação). Já a ISO 9001 superou mais uma vez a marca de 1 milhão de certificados durante os 12 meses de 2010.

A ISO 22000 apresentou aumento de expressivos 34% no número de certificados, se comparado com 2009 (18.630 contra 13.881), em 138 países e economias. China, Grécia e Turquia foram os primeiros.

A alta demanda é explicada, principalmente, pela disputa cada vez maior entre fornecedores, a conscientização dos consumidores sobre a importância da segurança alimentar e o rigor dos clientes externos.

Já a ISO 27001:2005 teve, em 2010, crescimento de 21% com relação ao ano anterior. Foram 15.625 certificados, ou seja, 2.691 a mais que 2009.

E a ISO 9001 segue como a norma campeã. Até o final de dezembro de 2010, foram pelo menos 1.109.905 certificados (crescimento de 4%), em 178 países e economias, com destaque para China, Itália e Rússia. No ano anterior, a marca de 1 milhão também já havia sido superada: 1.064.785.

A ISO 14001:2004 (Gestão Ambiental) também manteve sua relevância global, com 250.972 certificados (aumento de 12%).

E a ISO/TS 16949:2009, voltada para a indústria automotiva, fechou 2010 com  43.946 certificações, um crescimento de 7% comparado com 2009.
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Em entrevista exclusiva, novo presidente da Bosch ressalta longa parceria com a DQS

Há 26 anos, Besaliel Botelho iniciava sua trajetória na Bosch. Durante esse período, atuou em diversas áreas do Grupo, inclusive com passagem pela Alemanha. E, há dois meses, alcançou o que considerou uma dádiva: a presidência da Bosch na América Latina.

Em entrevista exclusiva concedida ao DQS Atual, esse brasileiro de 52 anos, natural de Recife, falou sobre objetivos da empresa para os próximos anos, tendências no mercado automotivo, responsabilidade sócio-ambiental e a ligação de 14 anos entre Bosch e DQS.

“A DQS é um parceiro de muitos anos e que nos dá sempre um norte no que diz respeito aos processos. É uma boa régua para nossa melhoria contínua. Através das auditorias, podemos ver onde temos potencial para melhorar”, afirmou.

Em 2011, o Grupo Bosch comemorou 125 anos de fundação. A empresa, líder mundial no fornecimento de tecnologia e serviços, tem cerca de 285 mil colaboradores e, no ano passado, teve um faturamento de 47,3 bilhões de euros nos setores de tecnologia automotiva, tecnologia industrial, bens de consumo e tecnologia de construção.

No Brasil, o grupo está presente desde 1954 e atualmente emprega cerca de 11 mil colaboradores. Em 2010, registrou no país um faturamento líquido de R$ 4,5 bilhões com a oferta de produtos e serviços automotivos para montadoras e para o mercado de reposição, ferramentas elétricas, sistemas de segurança, termotecnologia, máquinas de embalagem e máquinas industriais.

Leia abaixo, na íntegra, a entrevista com o presidente Besaliel Botelho.

DQS Atual: Desde 1985 na Bosch, o senhor assumiu recentemente a presidência da empresa na América Latina. Como foi alcançar este posto e quais os desafios que vê pela frente?

Besaliel Botelho: É uma dádiva poder chegar ao topo da empresa depois de 26 anos atuando nela. Hoje, olho muito mais para o futuro do que para o passado, com foco também para a América Latina, e não só para o Brasil. Estamos com a responsabilidade de expandir os negócios e vemos muitas oportunidades, inclusive em outros países também, como Argentina, Chile, Colômbia, os que estão com crescimento do PIB acima de 5%. E claro que também queremos crescer com esses mercados, com as nossas atividades, especialmente as voltadas para as áreas de bens de consumo e industrial. Temos muitos planos de expansão. No Brasil, vejo um futuro promissor, o mercado é grande, principalmente no segmento automotivo, que todo mundo quer participar. O país passa, no momento, por um grande desafio de competitividade. O Brasil já não é mais um país competitivo comparado com o resto do mundo, principalmente pelos temas já conhecidos, como custo da mão de obra, custo Brasil, etc. Os insumos aqui são mais caros que lá fora e isso faz com que o país tenha desafios para provar sua competitividade, para poder continuar crescendo com conteúdo local, com produção brasileira. Pelo que nós temos acompanhado, o governo está atento a isso e quer realmente fomentar a indústria nacional. Por isso, vejo para os próximos anos um desafio de competitividade, mas um bom desafio. Ou seja, um crescimento com novos investimentos, desde que consigamos ser competitivos.

DQS Atual: Em 2010, o faturamento líquido da Bosch na AL foi de R$ 5,3 bilhões, sendo o Brasil responsável por 85% deste montante. E qual o balanço da Bosch para este ano que está terminando?

Besaliel Botelho: Em 2011, teremos um faturamento um pouco acima de 2010. Recuperamo-nos bem da crise 2008/2009 e, neste final do ano, pela questão de competitividade acima falada, nossos clientes perderam mercado para os veículos importados. Consequentemente, tivemos uma redução de pedidos das nossas montadores nos últimos três meses e, por isso, nosso crescimento pode ficar 1 ou 2 pontos abaixo do que prevíamos, mas, mesmo assim, um bom crescimento comparado com 2010. E em 2012 vamos querer crescer pelo menos 5% em relação a 2011.

DQS Atual: Quais as tendências tecnológicas da Bosch especialmente para o setor automotivo? O carro elétrico será mesmo uma dessas tendências?

Besaliel Botelho: O setor automotivo vai evoluir muito na sua tecnologia de inovação voltada para os veículos tradicionais. Os carros com motores de combustão ainda serão fortes no Brasil e teremos motores mais eficientes para veículos de passageiro. Na área de caminhões pesados, temos novas leis de emissões que exigirão um diesel de baixo enxofre a partir de janeiro, e isso vai trazer novas tecnologias para os caminhões e ônibus. Ou seja, o Brasil tecnologicamente vai evoluir bastante na área dos combustíveis alternativos, mas na base de motores à combustão. O carro elétrico ainda continuará um nicho no Brasil por algum tempo por questões de custo. Vai acompanhar esse desenvolvimento do que está acontecendo lá fora, mas não será afetado em escala pelos próximos 10 anos, pelo menos, no que diz respeito à tecnologia do carro, seja ele híbrido ou elétrico. Isso porque nós temos alternativas para redução do CO2, como o etanol e o próprio biodiesel.

DQS Atual: A Bosch possui as certificações mais importantes, como por exemplo ISO TS 16949, KBA, ISO 9001 e também na área ambiental. A responsabilidade com o meio ambiente e com a sustentabilidade fazem parte dos princípios da empresa?

Besaliel Botelho: O meio ambiente está totalmente inserido no desenvolvimento dos nossos produtos e na sustentabilidade que temos também na área fabril, nos nossos tratamentos e processos, sejam eles para água e rede elétrica. Tudo isso não somente para desenvolver produtos que sejam bons para o meio ambiente, mas também para que trabalhemos com consciência ambiental na produção.

DQS Atual: Além disso, a responsabilidade social também é uma marca da empresa, não é? (Nota: Em 1964, foi criada na Alemanha a Fundação Robert Bosch, uma entidade sem fins lucrativos e que possui 92% do capital da Bosch. Já em 1971 foi constituída a Associação Beneficente Robert Bosch, em Campinas-SP, que em 2004 passou a ser designada Instituto Robert Bosch).

Besaliel Botelho: Neste ano, a Bosch investiu aproximadamente R$ 4 milhões em atividades sociais que promovem o ensino, a ajuda ao adolescente na sua vida profissional. Tudo isso através do nosso Instituto Robert Bosch.

DQS Atual: Como o senhor analisa esses 14 anos de parceria entre Bosch e DQS e quais valores são agregados com as auditorias realizadas?

Besaliel Botelho: A DQS é um parceiro de muitos anos e que nos dá sempre um norte no que diz respeito aos processos. É uma boa régua para nossa melhoria contínua. Através das auditorias, podemos ver onde temos potencial para melhorar. A DQS traz também trocas de experiências, principalmente do que está acontecendo no mercado. Enfim, é uma boa parceria e vamos continuar trabalhando juntos.

 

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Jornalista responsável: Almir Rizzatto (MTb 31.479)

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